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Infância e Adolescência

Bullying e cyberbullying: o que fazer e como superar

Entender o que está acontecendo é o primeiro passo para proteger quem você ama e saber quando buscar ajuda.

A tender moment between a father and child, capturing love and togetherness.

Seu filho voltou da escola quieto de novo. Parou de querer ir às festas dos amigos. O celular some quando você chega perto. Pode ser uma fase, claro, mas pode ser algo mais: a experiência de ser humilhado, excluído ou ameaçado de forma repetida, pelo apelido cruel dito em voz alta no corredor ou pela mensagem maldosa enviada a um grupo às três da manhã.

Bullying é quando uma pessoa ou grupo agride, humilha ou exclui alguém de forma repetida e deliberada, aproveitando uma diferença de poder, seja física, social ou numérica. Cyberbullying é a mesma dinâmica, só que ela acontece em ambientes digitais: aplicativos de mensagem, redes sociais, jogos online. A tela não reduz a dor. Em muitos casos, a amplifica, porque a agressão fica registrada, pode ser vista por centenas de pessoas e invade até o quarto de casa, o único lugar onde a criança poderia se sentir segura.

Como reconhecer os sinais em crianças e adolescentes

Dificilmente a criança ou o adolescente chega e diz: 'estou sofrendo bullying'. O mais comum é que o sofrimento apareça de outras formas: dores de barriga ou de cabeça frequentes antes de ir para a escola, queda no rendimento escolar, mudança repentina de humor, recusa em pegar o ônibus escolar ou em frequentar o recreio. No caso do cyberbullying, é comum a pessoa ficar agitada ou perturbada depois de mexer no celular e, logo em seguida, querer largar o aparelho de vez.

Outro sinal importante é o isolamento. Se um adolescente que antes saía com amigos começa a passar todos os fins de semana em casa sem uma razão clara, vale conversar com calma. Não para interrogar, mas para abrir espaço: 'reparei que você está diferente, quero entender como você está se sentindo'. Esse tipo de pergunta aberta, sem julgamento, tende a criar mais chance de diálogo do que 'aconteceu alguma coisa na escola?', que facilmente recebe um 'não' como resposta.

Bullying: o que fazer quando você descobre o que está acontecendo

Ao descobrir que seu filho está sofrendo bullying, a primeira reação costuma ser de raiva ou de desespero, o que é completamente compreensível. Só que agir de forma impulsiva, como ligar furioso para o responsável do agressor, pode piorar a situação para a criança. O primeiro passo é acolher: deixar claro que ela não tem culpa, que acredita nela e que está do lado dela.

Em seguida, documente. No caso do cyberbullying, tire prints das mensagens, comentários ou imagens antes de bloquear ou denunciar. Esse registro pode ser usado junto à escola e, se necessário, em outras instâncias. Leve o caso à direção ou coordenação pedagógica por escrito, descrevendo os episódios com datas e pedindo um retorno formal. A escola tem obrigação legal de agir. Se a resposta for insuficiente, o conselho tutelar pode ser acionado.

Para o cyberbullying especificamente, use os recursos das próprias plataformas: todas as redes sociais e aplicativos de mensagem têm mecanismos de denúncia e bloqueio. Bloquear o agressor não resolve o trauma, mas interrompe o fluxo de agressões enquanto outras medidas são tomadas.

Como tratar traumas de bullying e apoiar a recuperação emocional

Ser humilhado de forma repetida afeta a forma como a pessoa enxerga a si mesma. Com o tempo, frases ouvidas muitas vezes, como 'você é gordo', 'você é idiota' ou 'ninguém gosta de você', podem se transformar em crenças internas: 'sou mesmo assim'. Esse processo acontece porque o cérebro, especialmente na infância e adolescência, ainda está formando sua autopercepção, e as mensagens repetidas do ambiente deixam marca.

Apoiar a recuperação começa em casa, com consistência: validar os sentimentos da criança ('faz sentido você estar com raiva e triste pelo que aconteceu'), manter rotinas que tragam segurança e reforçar vínculos positivos, seja com a família, com atividades que a criança gosta ou com outros grupos sociais fora da escola. Quando os sinais de sofrimento persistem, como insônia prolongada, recusa total de socializar, choro frequente ou queda drástica no rendimento, o acompanhamento com um psicólogo pode ajudar a processar o que foi vivido de forma mais profunda e estruturada.

Como lidar com bullying na escola: o papel dos pais e da comunidade

A escola é o principal cenário do bullying presencial, mas resolver o problema não é responsabilidade só dos professores. Pais e responsáveis têm um papel ativo. Isso inclui conversar abertamente em casa sobre respeito, diferença e o que fazer quando alguém é maltratado, tanto se for a própria criança quanto se ela presenciar algo acontecer com um colega.

Crianças que testemunham o bullying e não fazem nada, o que acontece na maioria dos casos por medo de virar o próximo alvo, também podem ser orientadas. Ensinar frases simples como 'para com isso' ou 'isso não é certo' e incentivar a busca por um adulto de confiança já faz diferença. O silêncio dos outros é um dos fatores que sustenta o ciclo de agressão, e pequenas ações podem quebrá-lo.

Perguntas frequentes

Cyberbullying é menos sério do que bullying presencial?

Não existe hierarquia entre as duas formas: o cyberbullying pode ser até mais angustiante porque a agressão não para quando a criança sai da escola e pode alcançar um número muito maior de pessoas.

Como superar o bullying depois de adulto?

Experiências de bullying na infância e adolescência podem deixar marcas na autoestima e nos relacionamentos ao longo da vida. O acompanhamento psicológico pode ajudar a identificar como essas experiências ainda afetam o presente e a trabalhar essas crenças de forma gradual.

O que fazer se a escola não toma providências?

Registre a situação por escrito e procure o conselho tutelar ou a secretaria de educação do município, que têm competência para exigir ações da instituição. Em casos com ameaça ou agressão física, o boletim de ocorrência também é uma opção.

A criança agressora também precisa de ajuda?

Em muitos casos, sim. Comportamentos de agressão repetida costumam ter raízes em outras dificuldades emocionais ou relacionais, e um acompanhamento profissional pode ajudar a criança a desenvolver formas mais saudáveis de lidar com o que sente.

Se você se identificou com alguma das situações descritas aqui, seja como responsável de uma criança que está sofrendo ou como alguém que carrega memórias dolorosas do próprio passado, pode ser importante conversar com um psicólogo. Profissionais especializados em infância e adolescência estão preparados para ajudar a entender melhor o que está acontecendo e a encontrar caminhos de forma segura e acolhedora. Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação ou acompanhamento psicológico.